
Entrei pela porta principal, aquela por onde geralmente costumava entrar e sair. Lá dentro, esperava-me o tão habitual banco a que me acomodava sempre entre as tantas filas de espera. Enquanto isso, peguei numa, duas revistas, daquelas de imprensa cor-de rosa, cheias de dourado e caras bonitas. Folheei, e folheei, horas afim. Notícias em primeira mão de «liftings», e da nova moda de loucura das chamadas «rainhas» ( que por acaso discordo completamente ) do jetset. Davam lustre às capas das revistas, encobrindo o podre que se fazia diluír por outras notícias bem mais importantes. Fartei-me. Fartei-me de tanto rosa e contos de quem tem tudo e nunca fez nada por isso. Fartei-me, e atirei a revista p'ra cima da mesa ao calhas. Olhei lá p'ra fora, era forte õ corropio que se fazia sentir, entre vais-e-véns que se fazia sentir naquele hospital. Já farta, de tanta espera, levantei-me. Fui correr o corredor, aliviar a tensão da espera... mas parecia infernal, aquela sensação, aquele cheiro, aquele frio na barriga. Ouvi gritos mudos, senti lágrimas acorrentadas nas camas aprisionadas a seringas e a elevadas doses de medicamentos. Senti o medo, ouvi a morte. Sim, não mais que o corredor da morte, os fantasmas ainda atormentavam almas doentes. Naqueles segundos, paralizei diante do mesmo.. ouvi uma voz lá ao fundo e corri, fugi... Era o medo, era o tormento. Afinal, cheguei à conclusão que nunca me teria debruçado o suficiente sobre o que era verdadeiramente a essência da vida... Naquele instante, só pensei em fugir, em viver. Em ser, sem qualquer outro medo...
Tânia Brandão ©





