sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Vidas plastificadas,




T u d o, n u m (s i m p l e s) m u r m ú r i o .



Entrei pela porta principal, aquela por onde geralmente costumava entrar e sair. Lá dentro, esperava-me o tão habitual banco a que me acomodava sempre entre as tantas filas de espera. Enquanto isso, peguei numa, duas revistas, daquelas de imprensa cor-de rosa, cheias de dourado e caras bonitas. Folheei, e folheei, horas afim. Notícias em primeira mão de «liftings», e da nova moda de loucura das chamadas «rainhas» ( que por acaso discordo completamente ) do jetset. Davam lustre às capas das revistas, encobrindo o podre que se fazia diluír por outras notícias bem mais importantes. Fartei-me. Fartei-me de tanto rosa e contos de quem tem tudo e nunca fez nada por isso. Fartei-me, e atirei a revista p'ra cima da mesa ao calhas. Olhei lá p'ra fora, era forte õ corropio que se fazia sentir, entre vais-e-véns que se fazia sentir naquele hospital. Já farta, de tanta espera, levantei-me. Fui correr o corredor, aliviar a tensão da espera... mas parecia infernal, aquela sensação, aquele cheiro, aquele frio na barriga. Ouvi gritos mudos, senti lágrimas acorrentadas nas camas aprisionadas a seringas e a elevadas doses de medicamentos. Senti o medo, ouvi a morte. Sim, não mais que o corredor da morte, os fantasmas ainda atormentavam almas doentes. Naqueles segundos, paralizei diante do mesmo.. ouvi uma voz lá ao fundo e corri, fugi... Era o medo, era o tormento. Afinal, cheguei à conclusão que nunca me teria debruçado o suficiente sobre o que era verdadeiramente a essência da vida... Naquele instante, só pensei em fugir, em viver. Em ser, sem qualquer outro medo...



Tânia Brandão ©

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Salva(-os) ,


















Porque tanto esperas ? Ergue-te, mata-lhes a fome !

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

É real, é vida .




V i d a ,

Tantas e tantas vezes nos questionamos onde e quando acaba, sem nos aperceber-mos realmente do seu conteúdo e do que é feita. Dias radiantes de sol a espreitar na janela, cores vivas encobrindo as negras que antes haveriam ter sido líderes entre guerras e des(compaixões) a sangue frio. Mágoas, sorrisos, alegrias, tristezas. Um turbilhão de sentimentos inexplicáveis que nos conduzem à tão « inagualável » vida. Por caminhos nunca antes dados a conhecer, palavras nunca antes ditas, gestos nunca antes referidos... vamo-nos fazendo existir, marcando-os, simbolizando-os . Enquanto, que apenas existimos. Hoje, (ainda) não é o dia em que olhamos p'ra vida e deixamos de temer os obstacúlos. O dia em que (ainda) não aceitamos o vencimento, enquanto a calçada se desfaz de humanidade. E porquê ? Simples, apenas porque a maioria das pessoas apenas existe, esquecendo viver .



Tânia Brandão , ©

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A vida é muito mais do que vês pela janela ,


Arrastei-me por entre o corrimão da vida, e trouxe-te comigo. Mantinhas-te calado, sereno, vi o medo nos teus olhos. Não eramos os primeiros, nem seriamos os últimos a deixar-nos envolver nele. Depois, de noites vividas à miséria, finalmente compreendi o que era a vida. E sabes, é muito mais do que aquilo que vês pela janela. Um tecto ainda que com buracos, um prato de comida, é tudo o que pedem. Lembro-me daqueles dias em que reina o Natal e as casas todas se iluminam p'ra acolher a família, os que mais lhe são próximos... e muitas vezes entre momentos de eufúria ao ver tantos presentes, parámos, e mentaliza-mo-nos que a vida não é aquilo. Olhando pela fachada da janela, tudo parece simples e superficial, pois a dor vai-se acomodando com o passar do tempo. Desamparados, ímunes, incapacitados duma vida como a tua... eles já só apenas sobreviviam. Poque não podemos todos nós ser cidadãos com os mesmos direitos e regalias ? A realidade é dura, e a sua cor nem sempre soa a tons rosa.




Tânia Brandão , ©

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Anjo da Guarda .




- O anjo leva-te, não temas, ele sabe o caminho... ele guiar-te-á ate lá, levarte-á à realização dos teus sonhos.- Mas como? Ele não conhece os meus sonhos, não imagina os meus desejos, não sabe nada da minha vida, desconhece-me a mim...- Não, enganas-te, conhece-te melhor que ninguém, melhor que quem te viu nascer... conhece perfeitamente os teus sonhos, as tuas esperanças, sabe o que mereces e não tens, sabe o que te faria feliz e mesmo assim a vida não te dá.. Não temas, ele nunca te irá fazer mal, irá cuidar de ti, evitar que entristeças pelo que sempre te deixa triste, deixar-te-á chorar... e quando ele não te impedir de o fazeres não te revoltes.. porque ele está certo... chorar apenas te vai amenizar a dor e fazer com que te sintas novamente mais forte e pronta para enfrentar novas situações.- Mas como se nunca o vejo, se não sei quem ele é?- Não te importes com isso, podes não o ver mas ele está lá sempre a olhar por ti, e ajudar-te-á em cada momento díficil da tua vida.. Não precisas de saber quem é, precisas apenas de saber que ele existe, que existe alguém que mesmo distante, todas as noites promete proteger-te .Mais uma vez te digo para não teres medo, anjos são como estrelas... às vezes pouco luzem mas sabemos que estão sempre lá no céu... pois alguém cuidará sempre de ti.


~

Tânia Brandão , ©

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Entrego(-me) ,





Presa no teu cheiro, sustentava a respiração. A pele, essa já não aparentava sinal de beleza. A alma, essa foi-te violada pelo odor que te manipulava as veias, perdendo também essas a cor. Já tudo era malívuco. Entreguei-me a ti de alma lavada, enquanto te apoderavas do meu corpo. Consumias-me então, despida de obscuridades , nua de paixão e desejo mútuos .

Tânia Brandão , ©


domingo, 19 de agosto de 2007

Há vida lá fora ,




E hoje, vejo mundos opostos a colidirem. Assisto à tristeza esmagada nos olhos das crianças, pessoas manipuladas pela falta de alimento, desgastadas por um prato de comido, ainda que assim dele só possa comer umas migalhas, assisto à hipocrisia de políticos corruptos que vendem a própria vida e alma apenas por mais um pouco de fama e proveito. É a vida que não cansam de massacrar, de pisar. Ergue-te, faz-te entender, luta. Revolta-te! A vida pertence a quem sonha e têm coragem p'ra seguir em frente apesar das dificuldades, não a quem vende o próprio filho à nascença numa clínica clandestina algures em Espanha, apenas p'ra poder ter umas férias nas Caraíbas e reinar na luxúria! Pára, pensa. Reflecte no que tens, e outros por infelicidade da vida não conseguiram abraçar. Rende-te à vida, no seu mais puro e simples sentido, não a destruas. Jornais vendados por rostos VIP, gente do jetset, gente mesquinha .. gente que não ergue o mundo, não alimenta a vida! O que é isto?! Afinal, o q apelamos por vida? Pára-os, só tu o podes fazer. Une forças, simboliza capacidades . Lembra-te, por mais crúel que por vezes ela possa parecer, todos temos direito a vivê-la !



Um rosto de incapacidades humanas.



Tânia Brandão , ©



quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Parabéns, mãe .




Nada chega aos calcanhares daquilo que me representas , daquilo que és como pessoa . Sabes , orgulho-me tanto , mas tanto de ti .
Obrigada por tudo que sempre fizes-te por mim , pelo esforço que toda a vida manifestas-te p'ra que pudesse ter uma família , uma infância feliz e todas as regalias de nunca me ter faltado nada .
Fos-te , és e sempre serás ... a melhor !
Parabéns , mãe .

( Amo-te , ♥ )

sábado, 11 de agosto de 2007

( in ) pureza,







(...) E é caída no teu céu q' amavelmente me vejo nua, despida de preconceitos num azul puro de cinza clara ,






Tânia Brandão , ©

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Segredos, momentos, cumplicidades (...)





Sabes , se hoje te quisesse contar tudo o q sinto por ti ... é certo que palavras não chegariam . És algo diferente sim , inexplicável , algo q me agarrou na vida enquanto eu sem me aperceber ia abaixo . Aquele alguém sempre pronto a ouvir-me , a dar-me na cabeça quando mereço , a ter um acto carinhoso sempre que dele precisava . P'ra te ser sincera, já não imagino sequer a minha vida sem falar um dia contigo .. sem te chamar "grandalhão" , sem me rir contigo . Fazes-me bem sim , fazes-me sorrir , ver o mundo mais belo e sereno e é por isso e muito mais q'eu gosto tanto de ti ! Pequenos gestos, grandiosas palavras , « hum nao sentiste la a minha falta?? oohh tadinha vou pra proxima » :' , lembras-te como esta pequena frase revolucionou tudo ? Se queres mesmo saber , sim .. senti, senti tanto a tua falta nessa noite e em todas as outras em que não te tive por perto ... Lembrava-me de tudo que me dizias, do quanto me conseguias pôr em breves minutos alegre e com um sorriso na cara , das nossas conversas com a web até de madrugada, dos nossos pulos à areia e água da praia às 4h da manhã , do acampamento , do quanto me fazias sentir especial ... Não, não nos perdemos um ao outro e sei que isso nunca irá acontecer , porque tal como eu sou diferente p'ra ti, tu também assim o és p'ra mim ... e o meu sentimento por ti é incondicional e jamais morrerá .




És-me , muito mais do q possas algum dia imaginar ♥
Tânia Brandão , ©

sábado, 4 de agosto de 2007

( não ) o fruto proibido ,










(...) Não. Não o fruto proibido, muito menos o ardente sabor do pecado. Ainda que ardesse não o assim considerava. Queimava, entranhava-se por entre os impulsos de sangue a escorrer nas veias, ardia. Meramente bruto, e ao mesmo tempo indiscritível. Ainda ninguém tinha tido coragem de ir ao seu encontro. Enlouquecia dentro do mesmo, fogaz, da cor dum demónio pintado. Gritava manipulado pelo desespero, arrancava a própria pele de já tanta tortura. Deixava-se viver não por si, mas pelo eufemismo daquilo a que apelava por vida. Uma alma roubada, um corpo a rebentar em chama... Afinal, quando descoberto, era apenas um anjo cujas asas foram quebradas por egoísmo, um anjo revoltado por lhe terem retirado a vida sem ele próprio ter chegado a vivê-la, ( sequer um único segundo ) .


Tânia Brandão , ©

sexta-feira, 27 de julho de 2007

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Live or die ?




Let us die young or let us live forever .

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Dezassete anos, depois .







Dezassete anos depois voltas a fazer história, voltas a destacar-te, voltas a contar-me tudo porque passas-te. Não, não tens sequer noção do quanto me orgulho de ti, és a melhor, sempre o fos-te e sei que sempre o serás. Tu deste e continuas a dar-me tudo, sem pedir nada em troca dum simples gesto de amor. Tu continuas a estar lá, pronta p'ra te sacrificares por mim. Pronta p'ra me ouvir mesmo quando penso que já te esgotei a paciência, pronta p'ra me aconselhar mesmo eu nunca te ter dado tanto o valor que realmente tens!... sei que palavras não expressam o carinho, o amor, e aquele orgulho que me faz olhar-te como a "melhor" e mais bela de todas. És linda, tanto exteriormente pela beleza que todos os dias irradias nos olhos de todos aqueles que te olham, como interiormente com aquele amor que tens sempre pronto a oferecer, mesmo àqueles menos bons. Muitas vezes (sem te aperceberes), permaneço a olhar-te misteriosamente, como se fosses algo de novo... olho p'ra todas as outras, e penso na sorte que tenho em ter-te aqui, do meu lado... Desculpa se não sou a melhor, mas todos os dias tento melhorá-lo também por ti. Esforças-te-te, arriscaste-te, sofres-te... vences-te forte e destemida p'ra vida com a tamanha garra que nunca vi em outro alguém. Hoje, dia 10... passados os tais "dezassete" anos, os meus parabéns só a ti serão entregues... pois tu sim os mereces. Tu sim, mãe.





Amo-te, meu maior orgulho!



( ♥ )



Tânia Brandão , ©