sábado, 4 de agosto de 2007

( não ) o fruto proibido ,










(...) Não. Não o fruto proibido, muito menos o ardente sabor do pecado. Ainda que ardesse não o assim considerava. Queimava, entranhava-se por entre os impulsos de sangue a escorrer nas veias, ardia. Meramente bruto, e ao mesmo tempo indiscritível. Ainda ninguém tinha tido coragem de ir ao seu encontro. Enlouquecia dentro do mesmo, fogaz, da cor dum demónio pintado. Gritava manipulado pelo desespero, arrancava a própria pele de já tanta tortura. Deixava-se viver não por si, mas pelo eufemismo daquilo a que apelava por vida. Uma alma roubada, um corpo a rebentar em chama... Afinal, quando descoberto, era apenas um anjo cujas asas foram quebradas por egoísmo, um anjo revoltado por lhe terem retirado a vida sem ele próprio ter chegado a vivê-la, ( sequer um único segundo ) .


Tânia Brandão , ©

1 comentário:

Ana disse...

Sim, como era de esperar eu Gostei.
E, nao digo que gostei só para despachar um comentário, digo que Gostei do fundo do coração.

Gosto muito de ti :$ e isso basta.